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Adicional de Periculosidade: Como Requerer o Laudo e Cobrar na Justiça

Se você trabalha exposto a risco acentuado (como inflamáveis, explosivos, eletricidade ou segurança patrimonial armada) e a empresa não paga o adicional de periculosidade, é possível requerer o laudo técnico e cobrar na Justiça do Trabalho os valores atuais e atrasados. Neste guia, você vai entender o caminho mais seguro para provar o direito, evitar armadilhas comuns e aumentar suas chances de receber.




O que é adicional de periculosidade e quando é devido

O adicional de periculosidade é um acréscimo salarial devido quando a atividade expõe o trabalhador a risco acentuado, nos termos da CLT e das normas regulamentadoras. Em regra, o adicional é de 30% sobre o salário-base (sem incluir gratificações e adicionais), com reflexos em outras verbas, quando reconhecido.



Exemplos frequentes de atividades com periculosidade

  • Trabalho com inflamáveis (abastecimento, armazenamento, manuseio, áreas de risco).

  • Atividades com eletricidade em condições enquadradas (ex.: sistemas energizados, risco elétrico).

  • Atuação em segurança patrimonial com exposição a roubos/violência (vigilância, escolta, funções correlatas).

  • Ambientes com explosivos e operações de alto risco.

Mesmo que a empresa forneça EPI, isso nem sempre elimina a periculosidade. O enquadramento depende de critérios técnicos e da realidade do trabalho.



Por que o laudo técnico é decisivo (e como ele acontece)

Para reconhecer a periculosidade, é comum que a prova principal seja um laudo pericial produzido por perito nomeado pelo juiz durante o processo. Em algumas situações, documentos internos da empresa (como LTCAT, PPRA/PGR e laudos de insalubridade/periculosidade) também ajudam, mas o mais decisivo costuma ser a perícia judicial.


Se você quer entender como reunir documentação e estruturar seu caso desde o início, vale ver orientação jurídica trabalhista personalizada para evitar perda de provas.



Quem pode pedir o laudo

O pedido normalmente é feito em uma ação trabalhista, na qual o advogado solicita a realização de perícia. O juiz determina a perícia e o perito avalia local, tarefas, frequência de exposição e risco, emitindo o laudo.



Passo a passo: como requerer o laudo e cobrar o adicional na Justiça

  1. Mapeie sua rotina real: descreva tarefas, locais, horários e situações de risco (inclusive deslocamentos dentro da planta, sala elétrica, área de abastecimento, rondas etc.).

  2. Reúna provas: holerites, contrato, registros de ponto, ordens de serviço, PPRA/PGR, comunicações internas, fotos, vídeos, treinamentos e mensagens.

  3. Liste testemunhas: colegas que presenciaram a exposição e saibam explicar como era o trabalho no dia a dia.

  4. Calcule o impacto financeiro: o adicional pode gerar reflexos em férias, 13º, FGTS e verbas rescisórias.

  5. Proponha a ação: o advogado formula os pedidos e requer a perícia técnica (o “laudo”).

  6. Acompanhe a perícia: a consistência entre sua narrativa, documentos e testemunhas aumenta muito a força do laudo.

Se além da periculosidade existem outras pendências (como horas extras), uma estratégia integrada costuma aumentar a recuperação total. Veja como funciona a cobrança de horas extras não pagas quando a jornada real não bate com o que a empresa registra.



Quais documentos e provas mais ajudam (checklist prático)

  • Holerites (para comprovar ausência do adicional e base salarial).

  • CTPS e contrato (função registrada x função real).

  • Registros de ponto e escalas (para mostrar frequência e permanência em área de risco).

  • PPRA/PGR, LTCAT e laudos internos (quando disponíveis).

  • OS, APR, permissões de trabalho e treinamentos (NRs).

  • Fotos/vídeos do ambiente e dos equipamentos (com cuidado para não violar regras de sigilo ou segurança).

  • Conversas e e-mails sobre tarefas perigosas, remanejamentos e escalas.


Quanto posso receber: adicional, atrasados e reflexos

Além do pagamento mensal do adicional (quando reconhecido), é comum pedir:


  • Diferenças retroativas do adicional durante o período devido.

  • Reflexos em férias + 1/3, 13º salário, FGTS e verbas rescisórias.

  • Revisão de rescisão quando o contrato já terminou (por exemplo, demissão sem justa causa).

Se você foi dispensado e suspeita que sua rescisão ficou “menor” por falta do adicional, a apuração pode ser feita junto com a ação. Conheça também como cobrar verbas de demissão sem justa causa quando a empresa não paga tudo corretamente.



Erros que fazem o trabalhador perder força no processo

  • Não documentar a rotina e depender apenas de “ouvi dizer”.

  • Confundir periculosidade com insalubridade (são adicionais diferentes, com regras próprias).

  • Testemunhas frágeis (que não trabalharam junto, não sabem detalhes ou têm versões contraditórias).

  • Descrever a função de forma genérica, sem indicar onde, como e com que frequência ocorria a exposição ao risco.


Quando vale a pena falar com advogado trabalhista

Vale buscar avaliação profissional quando:


  • Você tem exposição a risco e nunca recebeu o adicional.

  • A empresa paga “por fora” ou paga em alguns meses e em outros não.

  • Você foi demitido e quer recalcular verbas rescisórias com reflexos.

  • Há outras irregularidades junto (FGTS, horas extras, desvio de função).

O escritório pode analisar documentos, estimar valores e definir a melhor estratégia probatória para seu caso. Veja a lista de serviços trabalhistas do escritório e escolha o atendimento mais adequado.



Conclusão: laudo bem conduzido + provas certas = mais chance de receber

Na prática, ganhar uma ação de adicional de periculosidade depende de três pontos: rotina bem descrita, provas coerentes e perícia (laudo) bem direcionada. Se você suspeita que trabalha em área de risco e está sem receber, agir cedo ajuda a preservar documentos e testemunhas — e pode aumentar o valor recuperado com reflexos.


 
 
 

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